Sol e luz do dia
Equação do tempo e hora solar verdadeira: quando é o meio-dia do Sol?
Em poucas palavras
A equação do tempo é a diferença entre a hora solar verdadeira e uma referência solar média uniforme. Resulta sobretudo da órbita elíptica da Terra e da inclinação do seu eixo. A longitude e o fuso acrescentam outras diferenças em relação ao relógio civil. O Apphemeride apresenta a equação, o tempo solar verdadeiro e a culminação para o seu local.
Três noções de hora
A **hora solar verdadeira local** acompanha o Sol aparente. Ao meio-dia solar verdadeiro, ele cruza o meridiano na culminação superior. Em Portugal, esse ponto situa-se a sul; a direção não se estende como regra a todas as latitudes. Um relógio de sol corretamente concebido e instalado representa esta hora.
A hora solar média local usa um Sol médio fictício de movimento uniforme. A longitude faz uma hora local média diferir de outra: cada grau para leste representa quatro minutos de avanço. Essa diferença é distinta da equação do tempo.
A hora civil de fuso serve uma região inteira. Portugal continental e Madeira usam uma referência civil com as suas regras de hora de verão, enquanto os Açores têm outro desvio. A mesma convenção de horário não significa que todos os locais tenham o Sol no meridiano no mesmo instante.
Neste texto, a equação do tempo segue o sinal verdadeira menos média. Um valor positivo indica um relógio solar adiantado face à hora média local; um valor negativo indica atraso. Há fontes que usam o sinal contrário, pelo que deve confirmar a definição antes de comparar números.
A contribuição da órbita elíptica
A Terra move-se mais depressa perto do periélio, no início de janeiro, e mais devagar perto do afélio, no início de julho. Entre dois retornos solares ao meridiano, a rotação tem de compensar um avanço orbital que não é sempre igual.
Essa componente anual contribui com uma amplitude da ordem de sete minutos e meio. Não é uma mudança da velocidade dos ponteiros de um relógio mecânico: é uma diferença entre a geometria solar real e o modelo de referência uniforme.
Uma órbita circular isolada não eliminaria necessariamente toda a equação do tempo, porque permanece o efeito da inclinação. Para a variação simples desaparecer seria preciso também uma geometria sem obliquidade, no modelo ideal.
A contribuição da obliquidade
O Sol percorre a eclíptica, inclinada relativamente ao equador celeste. O tempo solar relaciona-se com o movimento angular em torno do eixo terrestre, pelo que a projeção em ascensão reta não avança de maneira uniforme ao longo desse círculo inclinado.
Esta componente tem sobretudo duas oscilações anuais e amplitude próxima de dez minutos. Combinada com a componente da excentricidade, produz a curva característica com dois máximos e dois mínimos de tamanhos diferentes.
A forma não se explica apenas por o Sol estar mais perto ou longe, nem por uma única «correção de inverno». As duas contribuições têm ritmos e fases diferentes e somam-se ou compensam-se conforme a data.
Referências aproximadas ao longo do ano
Na convenção verdadeira menos média, podem guardar-se estes marcos:
- perto de 11 de fevereiro, mínimo de cerca de −14 minutos;
- perto de 15 de abril, passagem por zero;
- perto de 14 de maio, máximo menor próximo de +4 minutos;
- perto de 13 de junho, novo zero;
- perto de 26 de julho, mínimo próximo de −6 minutos;
- perto de 1 de setembro, zero;
- perto de 3 de novembro, máximo de cerca de +16 minutos;
- perto de 25 de dezembro, outro zero.
As datas e amplitudes são aproximações e podem variar ligeiramente entre anos. Em períodos longos, a órbita e a obliquidade também evoluem. Estes marcos explicam o padrão; um valor de efeméride da data escolhida é preferível para uma aplicação concreta.
O que muda no meio-dia em Portugal?
A longitude dentro da referência de fuso desloca o meio-dia médio. Dois locais portugueses mais oriental e mais ocidental não recebem a culminação no mesmo instante do relógio comum. Esse efeito de posição mantém-se aproximadamente estável para o mesmo lugar, enquanto a equação do tempo varia todos os dias.
Em novembro, a equação positiva adianta a culminação face ao meio-dia médio local; em fevereiro, a equação negativa atrasa-a. A hora de verão desloca ainda a leitura civil numa hora quando se aplica, sem mudar a trajetória física.
Não é preciso transportar uma explicação baseada num meridiano estrangeiro para interpretar Lisboa. A ideia geral é comparar a longitude do local com a referência civil usada e acrescentar a correção solar da data. Para Madeira e Açores, a longitude e o fuso próprios precisam de ser mantidos juntos.
Assim, um Sol mais alto bastante depois das 12 h no relógio não representa um «erro» do céu. O relógio e o Sol seguem convenções diferentes, cada uma adequada ao seu uso.
Relógios de sol e horários assimétricos
Um relógio solar tradicional não está necessariamente errado por diferir do telemóvel. A comparação requer longitude, equação do tempo e eventual hora de verão. Alguns relógios possuem tabelas ou uma curva em oito que ajudam na leitura de uma hora média.
A equação explica também por que os extremos de nascer e pôr não coincidem exatamente com o solstício. Perto de dezembro, a duração do dia muda devagar enquanto o meio-dia solar se desloca. O nascer e o ocaso podem mudar juntos para mais tarde, colocando o pôr mais cedo antes do solstício e o nascer mais tardio depois.
As datas precisas variam com a latitude. Uma data popular para uma cidade não é uma regra para todo o território português. O mesmo princípio aplica-se a outros países, mantendo o cálculo local.
Historicamente, muitas comunidades usavam horas locais. Transportes e comunicações tornaram referências comuns mais importantes. A mudança das convenções civis não aboliu a equação do tempo, que continua a ser uma propriedade da relação entre movimento solar e referência uniforme.
Como o Apphemeride responde
Como o Apphemeride responde
Na ficha solar, «Equação do tempo» e «Tempo solar verdadeiro» apresentam os valores para o local e são atualizados a cada segundo em modo direto. Os horários de nascer, culminação e ocaso dão a culminação no fuso escolhido, seja o do sistema ou o do local selecionado.
O analema mostra como equação do tempo e declinação formam o oito anual em 365 dias. Pode relacionar a correção instantânea com a época do ano sem fazer uma transformação manual.
Os dados solares de base são gratuitos na posição GPS atual. A viagem no tempo da versão completa permite comparar outras datas e estações. Conheça as fichas dos astros.
Perguntas frequentes
Porque o Sol não atinge a altura máxima às 12 h civis?
O relógio segue um fuso, não exatamente a sua longitude. A equação do tempo desloca ainda o meio-dia solar, e a hora de verão altera a leitura civil. Os três efeitos devem ser distinguidos antes de comparar horários.
O que é a hora solar verdadeira?
A hora associada ao Sol aparente no seu local. Vale meio-dia na culminação superior. Difere da hora média pela equação do tempo e da hora civil também pelas regras de longitude, fuso e hora de verão.
Quando a equação do tempo é zero?
Aproximadamente quatro vezes por ano, em meados de abril, meados de junho, início de setembro e fim de dezembro. A hora verdadeira e média local coincidem então, mas as correções civis e de longitude continuam relevantes.
Um relógio de sol que difere do relógio civil está errado?
Não necessariamente. Pode estar a mostrar corretamente outra referência temporal. Verifique construção, orientação, longitude, equação do tempo e hora de verão antes de concluir que existe erro no instrumento.
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