Apphemeride

Glossário

Glossário de astronomia: conceitos de A a Z

Efemérides, coordenadas e eclipses têm um vocabulário próprio. Este glossário explica os conceitos encontrados no Apphemeride e liga-os aos guias que os desenvolvem. As definições distinguem as convenções de cálculo das condições reais de observação, para interpretar os dados do seu local com confiança.

A

Aberração
Deslocamento aparente da direção de um astro devido ao movimento do observador e à velocidade finita da luz. A componente anual resulta sobretudo da velocidade orbital da Terra, próxima de 30 quilómetros por segundo, e pode atingir cerca de 20,5 segundos de arco. É uma correção necessária para posições aparentes precisas; não corresponde ao movimento próprio da estrela.
Afélio
Ponto de uma órbita em torno do Sol em que a distância ao Sol é maior. A Terra passa pelo afélio no início de julho, a cerca de 152 milhões de quilómetros, durante o verão do hemisfério Norte. As estações resultam principalmente da inclinação do eixo terrestre e da duração do dia, não da proximidade solar.
Albedo
Medida da capacidade de um corpo refletir a luz que recebe. Existem definições diferentes, como albedo geométrico e albedo de Bond, que não são números diretamente intercambiáveis. A Lua tem um albedo geométrico baixo, próximo de 0,12; as nuvens de Vénus refletem muito mais. Tamanho, distância e fase também influenciam o brilho observado.Guia: Brilho estelar: magnitude e limite de visibilidade
Altura angular
Ângulo de um astro em relação ao horizonte matemático: 0° na linha do horizonte, +90° no zénite e valores negativos abaixo dele. Com o azimute forma o sistema horizontal. Uma altura positiva não garante visão livre, pois edifícios e montanhas podem ocultar a direção. A posição aparente pode ainda diferir da geométrica devido à refração.Guia: Posição do Sol: azimute e altura
Altura do observador
Parâmetro da posição elevada do observador usado para considerar, nomeadamente, a depressão de um horizonte distante e desimpedido. Pode alterar os instantes de nascer e ocaso e contribui também para a posição topocêntrica. A altura não reconstitui automaticamente montanhas ou edifícios: num vale, o horizonte real pode estar mais alto, apesar da altitude do local.Guia: Refração e depressão do horizonte
Analema
Figura em oito obtida ao registar a direção do Sol durante um ano, a partir do mesmo local e à mesma hora de referência uniforme. A declinação produz a variação sazonal norte–sul e a equação do tempo a componente lateral. A projeção no céu depende do local e da hora; a hora de verão deve ser tratada separadamente.Guia: Analema: o oito que o Sol desenha no céu
Ângulo de fase
Ângulo Sol–corpo–observador, medido no astro. Perto de 0° vemos sobretudo a sua face iluminada; perto de 90°, aproximadamente metade; perto de 180°, sobretudo a noite. A fração precisa depende da geometria e das propriedades de reflexão. Os planetas exteriores apresentam fases limitadas desde a Terra; Marte pode atingir um ângulo de fase de cerca de 47°.
Ângulo de posição
Orientação de uma direção ou ponto em relação a outro, contada normalmente do norte celeste para leste. Pode descrever a posição de um contacto no bordo solar, uma ocultação no limbo lunar ou a orientação de uma estrela dupla. A aparência horária ou anti-horária no ecrã depende de inversões e rotações da imagem; a convenção celeste deve ser mantida.Guia: Contactos de um eclipse: compreender C1 a C4
Ângulo horário
Separação angular em relação ao meridiano, contada habitualmente para oeste ao longo do equador celeste e expressa em horas. Relaciona-se com tempo sideral local menos ascensão reta, quando as convenções são compatíveis. O valor zero marca a passagem superior. Não significa necessariamente sul: a direção da culminação depende da declinação e da latitude do observador.Guia: Tempo sideral local: compreender LST
Ano-luz
Distância percorrida pela luz no vazio durante um ano juliano: aproximadamente 9,46 × 10^12 quilómetros, ou 9,46 biliões na escala longa usada em Portugal. É uma unidade de comprimento, não de tempo. Próxima de Centauro, a estrela mais próxima depois do Sol, fica a cerca de 4,2 anos-luz, pelo que a vemos com vários anos de atraso luminoso.
Antumbra
Região para lá da ponta do cone de umbra, onde o corpo ocultante se alinha com a fonte luminosa mas não a cobre por completo. Quando a ponta da umbra lunar termina antes de atingir um local terrestre, a antumbra pode alcançá-lo. O observador vê então uma fase anular, com parte da fotosfera solar sempre visível e perigosa sem proteção adequada.Guia: Eclipse anular ou total: qual é a diferença?
Apogeu
Ponto mais afastado da Terra numa órbita geocêntrica, como a da Lua. A distância lunar no apogeu varia de uma revolução para outra; um valor próximo de 405 mil quilómetros dá uma ordem de grandeza. Uma Lua cheia perto desse ponto é frequentemente chamada microlua, por apresentar um diâmetro angular ligeiramente menor.Guia: Superlua e microlua: o tamanho aparente da Lua
Ascensão reta
Coordenada medida para leste ao longo do equador celeste, tradicionalmente desde o ponto vernal nos sistemas equinociais. O círculo completo corresponde a 24 horas, com minutos e segundos de tempo como unidades angulares. Em conjunto com o tempo sideral determina o ângulo horário. O referencial, a época e as correções devem ser coerentes ao comparar posições.Guia: Ascensão reta e declinação explicadas
Asterismo
Padrão reconhecível de estrelas que não constitui, por si só, uma constelação oficial. O Carro integra a Ursa Maior; o Triângulo de Verão reúne Vega, Deneb e Altair, em três constelações diferentes. Os asterismos ajudam a orientar o olhar, embora as suas estrelas possam estar a distâncias muito diferentes e não formar um grupo físico.Guia: Como reconhecer as constelações
Azimute
Direção de um astro medida ao longo do horizonte. Na convenção habitual conta-se do norte para leste: 0° no norte, 90° no este, 180° no sul e 270° no oeste. Outras convenções existem, pelo que a origem deve ser verificada ao comparar tabelas. Em conjunto com a altura, indica onde olhar a partir do seu local.Guia: Posição do Sol: azimute e altura

C

Chuva de meteoros
Aumento de meteoros associado à passagem da Terra por uma corrente de partículas, muitas vezes deixada por um cometa ou um asteroide. As trajetórias parecem partir de um radiante comum devido à perspetiva. O nome relaciona-se geralmente com a constelação do radiante. A taxa observada depende da atividade, da altura, da escuridão e dos obstáculos locais.Guia: Chuvas de meteoros: Perseidas, Gemínidas e outras
Ciclo solar
Ritmo de atividade com duração média próxima de onze anos, visível na evolução do número de manchas e de outros fenómenos solares. A polaridade magnética global inverte-se entre ciclos, formando um ciclo magnético próximo de vinte e dois anos. O ciclo 25 começou no final de 2019; o estado de um dia concreto deve ser consultado em dados datados.Guia: Manchas solares: compreender e observar em segurança
Círculo polar
Paralelo próximo de 66,6° norte ou sul, complemento da obliquidade terrestre. Na geometria ideal delimita a possibilidade de um dia sem ocaso ou sem nascer perto do solstício. Raio solar e refração deslocam os limites visíveis reais. A posição do círculo varia lentamente com a inclinação do eixo; não é uma fronteira fixa que inclua todos os relevos.Guia: Sol da meia-noite e noite polar
Circumpolar
Astro cuja trajetória diária não desce abaixo do horizonte ideal de determinado local. A condição depende da latitude exata e da declinação, não apenas do nome de uma constelação ou do país. Não se deve prometer que todo o Carro é sempre visível de Lisboa. Luz diurna, obstáculos e nuvens ainda podem impedir a observação de uma estrela circumpolar.Guia: Sol da meia-noite e noite polar
Classe espectral
Classificação de uma estrela pelas características do seu espectro, fortemente relacionadas com temperatura e outras propriedades atmosféricas. A sequência principal O, B, A, F, G, K, M vai de estrelas muito quentes e azuladas a mais frias e avermelhadas. O Sol é G2. Subclasses e classes de luminosidade acrescentam informação; a cor observada pode ser alterada por poeiras.
Colongitude
Longitude selenográfica convencional do terminador matutino lunar. Vale aproximadamente 0° no primeiro quarto, 90° na Lua cheia, 180° no último quarto e 270° na Lua nova. Ajuda a identificar as longitudes onde o Sol está a nascer na Lua e a planear a observação de crateras com luz rasante, em conjunto com libração e visibilidade local.
Conjunção
Configuração em que dois astros têm a mesma longitude eclíptica ou a mesma ascensão reta, conforme a definição escolhida. Não garante separação angular nula, pois a outra coordenada pode diferir. Em relação ao Sol, Mercúrio e Vénus apresentam conjunções inferiores e superiores. Para a observação é preciso verificar separação real, altura e segurança perto do Sol.Guia: Oposição, conjunção e quadratura dos planetas
Constelação
Uma das 88 regiões oficiais da esfera celeste, com lista adotada pela União Astronómica Internacional em 1922 e fronteiras estabelecidas no final da década de 1920 e publicadas em 1930. Cada direção pertence a uma região. O desenho de linhas entre estrelas não é a fronteira oficial e pode variar entre atlas; asterismos são padrões sem região própria.Guia: Como reconhecer as constelações
Contactos de um eclipse
Instantes em que os bordos de discos aparentes, ou de um disco e uma sombra, se tocam na geometria do fenómeno. Nos eclipses solares usam-se C1–C4, quando existem; nos lunares P1, U1–U4 e P4. Os contactos solares são locais. Os contactos lunares físicos são comuns, embora o horizonte e o fuso determinem o que cada observador vê.Guia: Contactos de um eclipse: compreender C1 a C4
Coordenadas heliográficas
Latitude e longitude definidas sobre o Sol para localizar manchas e outras estruturas. A longitude pode usar o sistema de Carrington, com um período de rotação sideral de referência próximo de 25,38 dias. O Sol possui rotação diferencial, pelo que as estruturas não seguem todas exatamente esse ritmo. O sistema facilita a comparação de observações em dias distintos.Guia: Manchas solares: compreender e observar em segurança
Crepúsculo
Transição antes do nascer e depois do pôr do Sol, enquanto a atmosfera ainda dispersa luz solar para o céu visível. Distingue-se em civil, náutico e astronómico pelos limites de −6°, −12° e −18° do centro geométrico solar. A duração varia com latitude e estação; nuvens e condições locais modificam a luminosidade realmente observada.Guia: Crepúsculo civil, náutico e astronómico
Crepúsculo astronómico
Fase em que o centro geométrico do Sol se encontra entre 12° e 18° abaixo do horizonte. A luz residual ainda pode prejudicar objetos muito ténues. Quando desce abaixo de −18°, começa a noite astronómica, independentemente de a Lua estar ou não presente. A luz lunar é um critério adicional para a escuridão útil à observação.Guia: Crepúsculo civil, náutico e astronómico
Crepúsculo civil
Intervalo entre o pôr do Sol convencional e o centro solar a −6° ao anoitecer; de manhã decorre entre −6° e o nascer do Sol. Costuma haver luz suficiente para muitas atividades no exterior, dependendo da atmosfera e do terreno. As estrelas e planetas mais brilhantes podem tornar-se visíveis antes de a fase terminar.Guia: Crepúsculo civil, náutico e astronómico
Crepúsculo náutico
Fase em que o centro solar está entre 6° e 12° abaixo do horizonte. O nome vem da navegação: sob boas condições, o horizonte marítimo ainda pode ser reconhecido ao mesmo tempo que estrelas brilhantes permitem medições. A visibilidade real depende de nuvens, nevoeiro e transparência; o limite angular não garante que uma linha de horizonte esteja sempre visível.Guia: Crepúsculo civil, náutico e astronómico
Culminação
Passagem de um astro pelo meridiano. A superior corresponde ao máximo da trajetória diária ideal e a inferior ao mínimo, com cuidados adicionais para objetos que se movem rapidamente. A culminação superior do Sol define o meio-dia solar verdadeiro. A direção não é universalmente sul: depende da latitude e da declinação, podendo situar-se no norte.Guia: Equação do tempo e hora solar verdadeira

D

Data juliana
Contagem contínua dos dias a partir de 1 de janeiro de 4713 antes da nossa era no calendário juliano, com mudança convencional ao meio-dia. A parte decimal representa frações de dia. É necessário indicar a escala, por exemplo TT ou UT1: o mesmo número em escalas diferentes não designa o mesmo instante. O início ao meio-dia não acompanha automaticamente todas as noites locais do mundo.Guia: Data juliana e ΔT: compreender as escalas do tempo
Declinação
Distância angular ao equador celeste, positiva para norte e negativa para sul, entre +90° e −90°. É análoga à latitude terrestre. Em conjunto com a latitude do observador determina a trajetória e a altura de culminação. Uma declinação cada vez mais setentrional não faz a altura crescer sem limite: a passagem pelo zénite muda essa relação.Guia: Ascensão reta e declinação explicadas
Delta T
Diferença ΔT = TT − UT1 entre o Tempo Terrestre uniforme e a escala associada à rotação real da Terra. Como a rotação não é perfeitamente regular, o valor depende da data e do modelo ou medição usados. Uma estimativa atual não é uma constante para todas as épocas; a incerteza aumenta para períodos históricos ou futuros distantes.Guia: Data juliana e ΔT: compreender as escalas do tempo
Depressão do horizonte
Ângulo pelo qual um horizonte distante e desimpedido fica abaixo do plano horizontal de um observador elevado. Pode antecipar o nascer e atrasar o ocaso, conforme a trajetória do astro. Aumenta com a altura, mas não linearmente. Exige visão livre para uma superfície mais baixa; não descreve uma crista próxima que tapa o céu de um vale.Guia: Refração e depressão do horizonte
Dia sideral
Intervalo de rotação terrestre em relação às referências celestes, na descrição clássica associada ao retorno do ponto vernal, próximo de 23 horas, 56 minutos e 4 segundos de tempo solar médio. É quase quatro minutos mais curto que o dia solar. As convenções de dia estelar e sideral diferem ligeiramente em trabalho rigoroso devido à evolução das referências.Guia: Tempo sideral local: compreender LST
Dispersão de Rayleigh
Dispersão da luz por partículas muito menores que o seu comprimento de onda, como moléculas do ar. Na aproximação correspondente, as componentes de menor comprimento de onda são muito mais dispersas. Ajuda a explicar o azul diurno e o avermelhamento da luz solar num longo percurso atmosférico. Aerossóis, absorção e nuvens acrescentam outros efeitos ao céu real.Guia: Crepúsculo civil, náutico e astronómico

E

Eclipse híbrido
Eclipse solar que apresenta segmentos anulares e totais ao longo do percurso central. Perto do limite de alcance da umbra, a curvatura terrestre faz variar a distância do solo à Lua e pode mudar o tipo local. O eclipse de 20 de abril de 2023 foi um exemplo. Um observador fixo não vê necessariamente ambos os tipos no mesmo local.Guia: Eclipse anular ou total: qual é a diferença?
Eclíptica
Trajetória anual aparente do Sol perante as estrelas e projeção do plano orbital terrestre na esfera celeste, segundo o referencial adotado. Faz um ângulo próximo de 23,4° com o equador celeste. A Lua e os planetas encontram-se geralmente na sua vizinhança, com desvios próprios; a inclinação orbital heliocêntrica e a latitude aparente geocêntrica não são a mesma grandeza.Guia: Coordenadas celestes: três sistemas para o céu
Efeméride
Tabela ou cálculo que fornece posições e outras propriedades de um astro para uma sequência de instantes. Pode incluir coordenadas, distâncias, fases e eventos, com referências temporais e espaciais definidas. O termo deriva de uma palavra grega ligada a «diário» e está também na origem do nome Apphemeride. A precisão depende do modelo e das convenções usadas.
Elementos de Bessel
Conjunto de grandezas que descreve a geometria de um eclipse, incluindo a posição e o tamanho da sombra num plano de referência que passa pelo centro terrestre. São normalmente representados por funções do tempo. Com a rotação da Terra e os dados do local permitem determinar o percurso da sombra e as circunstâncias e contactos locais.Guia: Eclipse solar: trajetória, contactos e cobertura
Elongação
Separação angular entre um astro e o Sol vista da Terra. Nas órbitas interiores de Mercúrio e Vénus, a separação máxima é limitada: aproximadamente 18°–28° para Mercúrio e 45°–47° para Vénus, conforme a configuração. As elongações orientais favorecem aparições vespertinas e as ocidentais aparições matutinas, sem garantir uma altura local favorável.Guia: Elongação máxima de Mercúrio e Vénus
Época
Instante de referência a que corresponde uma posição, um movimento ou um conjunto de elementos orbitais. Para estrelas, indica quando a posição se aplica antes de propagar o movimento próprio. Não é sinónimo do referencial nem do equinócio que orienta os eixos, embora J2000 apareça frequentemente nestes contextos. Uma comparação rigorosa deve distinguir estas informações.Guia: J2000 ou JNow: precessão e nutação
Equação do tempo
Diferença entre a hora solar verdadeira e a hora solar média, causada sobretudo pela excentricidade orbital terrestre e pela obliquidade. Na convenção verdadeira menos média varia aproximadamente entre −14 e +16 minutos ao longo do ano. Alguns textos usam sinal contrário. A longitude e a hora de verão são correções distintas, não partes desta diferença astronómica.Guia: Equação do tempo e hora solar verdadeira
Equador celeste
Grande círculo obtido ao projetar o equador terrestre na esfera celeste, a 90° dos polos. É a referência da declinação. Interseta o horizonte ideal nas direções este e oeste; a sua maior altura relaciona-se com o complemento do valor absoluto da latitude. Nos polos e no equador existem configurações limite que pedem uma leitura geométrica própria.Guia: Ascensão reta e declinação explicadas
Equilux
Dia em que o intervalo entre nascer e pôr do Sol é aproximadamente igual à duração da noite. O raio solar e a refração prolongam o dia convencional, pelo que o equilux não coincide necessariamente com o equinócio. Nas latitudes médias do Norte ocorre antes do equinócio de março e depois do de setembro, com data dependente da latitude.Guia: Solstícios e equinócios: as estações astronómicas
Equinócio
Passagem solar pelo equador celeste perto de março ou setembro, definida com as convenções astronómicas apropriadas. Marca o início de uma estação astronómica, invertida entre hemisférios. O dia convencional é ligeiramente maior que doze horas devido ao raio solar e à refração, pelo que igualdade exata de dia e noite é uma questão de equilux e latitude.Guia: Solstícios e equinócios: as estações astronómicas
Equinócio, referência astronómica
Instante em que a longitude eclíptica aparente geocêntrica do Sol atinge 0° em março ou 180° em setembro, correspondendo à passagem pelo equador celeste nas convenções usuais. O termo também identifica a orientação do ponto vernal numa grelha de coordenadas, como «equinócio J2000». Essa referência dos eixos deve distinguir-se da época da posição de uma estrela.Guia: Solstícios e equinócios: as estações astronómicas
Escala de Danjon
Escala de cinco níveis para descrever a luminosidade e a cor da Lua durante a totalidade de um eclipse lunar. Vai de L0, muito escuro e pouco visível, a L4, claro e acobreado ou alaranjado, por vezes com bordo azulado. Aerossóis, poeiras e nuvens na atmosfera terrestre influenciam a classificação observada.Guia: Eclipse lunar: fases, cor e visibilidade
Estrela Polar
Estrela de magnitude próxima de 2 na Ursa Menor, situada a menos de um grau do polo celeste norte na época atual. Indica aproximadamente o norte onde está acessível, e a sua altura aproxima a latitude de um observador do hemisfério Norte. Não é um guia local universal para o hemisfério Sul; a precessão altera o papel polar ao longo de milénios.Guia: Como reconhecer as constelações
Extinção atmosférica
Atenuação da luz de um astro por absorção e dispersão na atmosfera terrestre. Aumenta com a massa de ar atravessada e torna objetos baixos mais fracos e frequentemente mais avermelhados. Sob condições transparentes pode representar algumas décimas de magnitude na vertical e muito mais perto do horizonte; os valores variam com a atmosfera, não constituindo uma correção fixa universal.Guia: Quando está o céu escuro o suficiente para observar?

F

Fase lunar
Aspeto da parte iluminada da Lua que vemos, resultante das posições relativas do Sol, da Terra e da Lua. As fases principais são Lua nova, primeiro quarto, Lua cheia e último quarto, com crescentes e formas gibosas entre elas. O ciclo é sinódico. A orientação esquerda/direita depende do local, da posição no céu e da ótica, não apenas da fase.Guia: Fases da Lua: da Lua nova à Lua cheia
Fotosfera
Camada visível do Sol de onde provém a maior parte da luz recebida, com temperatura característica próxima de 5 800 kelvin e espessura de algumas centenas de quilómetros. Nela observam-se manchas, fáculas e granulação. O bordo parece mais escuro por observarmos camadas de características diferentes: é o escurecimento do limbo, distinto de uma mancha solar.Guia: Manchas solares: compreender e observar em segurança

G

Gamma de um eclipse
Distância mínima do eixo da sombra ao centro terrestre num eclipse solar, expressa em raios equatoriais da Terra. O sinal distingue o lado do plano de referência. Valores próximos de zero indicam uma passagem mais central; a classificação exata depende da geometria terrestre e da sombra. Nos eclipses lunares, gamma descreve analogamente o desvio da Lua em relação ao eixo da sombra terrestre.Guia: Eclipse solar: trajetória, contactos e cobertura

H

Hora azul
Janela do crepúsculo apreciada em fotografia pelo azul do céu e pelo equilíbrio com a iluminação artificial. Não tem uma definição universal nem dura necessariamente sessenta minutos. Uma convenção de planeamento situa o centro solar entre cerca de −4° e −8°, abrangendo parte do crepúsculo civil e o início do náutico à tarde.Guia: Hora dourada e hora azul: preparar a luz
Hora dourada
Janela em torno do nascer e do pôr do Sol, associada a luz quente, sombras longas e uma altura solar baixa. Uma convenção habitual usa o centro solar entre +6° e −4°, incluindo parte do crepúsculo. Não é um intervalo fixo de uma hora nem uma garantia de cor: nuvens, aerossóis e obstáculos modificam o resultado fotográfico.Guia: Hora dourada e hora azul: preparar a luz
Hora solar verdadeira
Hora determinada pelo movimento aparente real do Sol no seu local: ao meio-dia solar verdadeiro ocorre a culminação superior. Difere da hora solar média pela equação do tempo e da hora civil também pela longitude, pelo fuso e pela eventual hora de verão. O meio-dia solar não se situa universalmente a sul nem às 12 h do relógio civil.Guia: Equação do tempo e hora solar verdadeira
Horizonte
Linha de separação aparente entre céu e paisagem. O horizonte matemático é o plano perpendicular à vertical do observador, a 90° do zénite. O horizonte realmente visível pode ficar acima por obstáculos ou abaixo por um ponto de vista elevado sobre uma superfície livre. Alturas e cálculos de nascer e ocaso devem ser lidos com a convenção de horizonte adotada.Guia: Posição do Sol: azimute e altura

I

Idade da Lua
Tempo decorrido desde a última Lua nova, habitualmente em dias. Valores próximos de 7,4 dias e 14,8 dias dão referências médias para primeiro quarto e Lua cheia. As órbitas não são percorridas uniformemente, pelo que a idade não fixa sozinha uma fase exata nem uma percentagem de iluminação. Para planear um evento, use o instante calculado.Guia: Fases da Lua: da Lua nova à Lua cheia
Inclinação dos anéis
Ângulo sob o qual vemos o plano dos anéis de Saturno. O valor absoluto varia de perto de 0°, quando se apresentam de perfil, até cerca de 27° quando estão muito abertos, ao longo do ano saturniano de aproximadamente 29,5 anos. O sinal ou indicação de face distingue a perspetiva norte ou sul; a iluminação também afeta a visibilidade.Guia: Anéis de Saturno: inclinação e visibilidade
Índice de cor
Diferença entre magnitudes medidas em duas bandas fotométricas, como B−V, azul menos visual. Valores pequenos ou negativos costumam caracterizar estrelas mais azuis e quentes; valores maiores, estrelas mais vermelhas e frias. O Sol tem B−V próximo de 0,65. Poeiras interestelares e outros fatores também alteram a cor, pelo que não é um termómetro independente de contexto.Guia: Brilho estelar: magnitude e limite de visibilidade
Índice de população
Fator, geralmente r, que descreve o aumento do número de meteoros de uma classe de magnitude para a seguinte mais fraca. Valores típicos situam-se aproximadamente entre 2 e 3,5. Um valor pequeno corresponde a uma proporção relativamente maior de meteoros brilhantes. Ajuda a corrigir taxas observadas para condições normalizadas e a interpretar a influência de um céu luminoso.Guia: Chuvas de meteoros: Perseidas, Gemínidas e outras

J

J2000
Época padrão de 1 de janeiro de 2000 às 12 h de Tempo Terrestre, correspondente a JD 2451545,0 TT. Nas referências equinociais clássicas, os eixos J2000 associam-se ao equador e ponto vernal médios dessa data. A época de uma posição e a orientação dos eixos devem ser distinguidas. «JNow» é um rótulo prático de data, não uma especificação completa universal.Guia: J2000 ou JNow: precessão e nutação

L

Libração
Variação aparente da orientação lunar que permite ver, ao longo do tempo, cerca de 59 % da superfície a partir da Terra. A excentricidade orbital, a inclinação dos planos e o ponto de observação produzem as componentes óticas. Há também uma pequena oscilação física real. Os 59 % são cumulativos, não a fração visível num único instante.Guia: Libração lunar: ver mais de metade da Lua
Linha central
Trajeto do eixo da sombra lunar sobre a superfície terrestre num eclipse central. Nas suas proximidades, a fase total ou anular costuma durar mais que junto das margens do percurso, e os centros aparentes alinham-se mais de perto. É uma referência de planeamento, sem dispensar circunstâncias locais, horizonte e meteorologia para o ponto exato escolhido.Guia: Eclipse solar: trajetória, contactos e cobertura
Luas galileanas
Os quatro grandes satélites de Júpiter: Io, Europa, Ganimedes e Calisto, observados por Galileo Galilei em 1610. Com magnitudes aproximadas entre 4,6 e 5,7, podem ser vistos em binóculos estabilizados apesar do brilho do planeta. A disposição muda de noite para noite e um satélite pode ficar oculto, eclipsado ou demasiado próximo do disco para ser distinguido.Guia: Luas de Júpiter: Io, Europa, Ganimedes e Calisto
Lunação
Ciclo completo das fases, de uma Lua nova à seguinte. A duração média é de 29,53 dias, o mês sinódico, mas as lunações reais diferem várias horas devido aos movimentos orbitais não uniformes. A percentagem de avanço no ciclo não é a percentagem iluminada do disco: são medidas distintas, apesar de ambas descreverem a evolução lunar.Guia: Fases da Lua: da Lua nova à Lua cheia
Luz cinérea
Luminosidade acinzentada da parte noturna da Lua junto de um crescente fino. A luz solar é refletida pela Terra para a Lua e depois devolvida até nós pelo solo lunar. Observa-se bem alguns dias antes ou depois da Lua nova, com altura e contraste favoráveis durante o crepúsculo. A Terra não está a emitir luz própria como uma estrela.Guia: Luz cinérea: a noite lunar iluminada pela Terra

M

Magnitude
Medida logarítmica do brilho numa banda definida. Valores menores representam objetos mais brilhantes; uma diferença de cinco magnitudes corresponde exatamente a um fator cem em fluxo, e uma magnitude a cerca de 2,5. Existem magnitudes aparentes e absolutas com significados diferentes. O símbolo mag designa a unidade de comparação, não uma distância nem um tamanho do astro.Guia: Brilho estelar: magnitude e limite de visibilidade
Magnitude absoluta
Magnitude que uma estrela teria à distância convencional de dez parsecs, numa banda fotométrica especificada. Permite comparar luminosidades intrínsecas, em vez de apenas o brilho recebido na Terra. O Sol teria aproximadamente magnitude 4,8 na banda visual. Para pequenos corpos do Sistema Solar utiliza-se outra definição, com distâncias e geometria de iluminação normalizadas.Guia: Brilho estelar: magnitude e limite de visibilidade
Magnitude limite
Magnitude da estrela mais fraca ainda detetável com determinado observador, equipamento e condições. Um número maior significa capacidade de ver objetos mais ténues. A olho nu, um bom céu escuro pode permitir cerca de magnitude 6 a 6,5; crepúsculo, Lua, poluição luminosa, transparência e adaptação visual alteram significativamente o limite efetivo.Guia: Brilho estelar: magnitude e limite de visibilidade
Magnitude umbral
Grandeza geométrica da profundidade de um eclipse lunar em relação à umbra, normalizada pelo diâmetro da Lua. Valores entre zero e um correspondem a um eclipse parcial; a partir de um é possível a totalidade. Num eclipse apenas penumbral pode ser negativa. Não é a magnitude de brilho nem uma percentagem direta da superfície lunar escurecida.Guia: Eclipse lunar: fases, cor e visibilidade
Marés
Deformações periódicas da Terra e dos oceanos associadas à diferença da atração lunar e solar entre regiões terrestres. Muitos locais apresentam duas preia-mares e duas baixa-mares por dia, mas bacias e ressonâncias alteram o padrão. Lua nova e cheia favorecem marés vivas; os quartos, marés mortas. O tempo, a pressão e o relevo costeiro também influenciam o nível real.Guia: Fases da Lua: da Lua nova à Lua cheia
Meridiano
Grande círculo celeste que passa pelos pontos norte e sul do horizonte e pelo zénite. Organiza os trânsitos e os ângulos horários. Em Portugal, o Sol culmina para sul, mas nem todos os astros o fazem; estrelas muito setentrionais podem culminar para norte. Uma passagem pelo meridiano não deve ser identificada automaticamente com um ponto cardeal único.
Mês sinódico
Intervalo entre duas Luas novas, em média aproximadamente 29,53 dias. É mais longo que a revolução sideral lunar de cerca de 27,32 dias, porque a Terra avança na sua órbita e a Lua tem de recuperar a mesma configuração com o Sol. Cada lunação real pode diferir da média devido à velocidade orbital variável.Guia: Fases da Lua: da Lua nova à Lua cheia
Meteoro
Fenómeno luminoso produzido pela entrada rápida de uma pequena partícula na atmosfera terrestre, frequentemente a velocidades entre cerca de 11 e 72 quilómetros por segundo e altitudes de 80 a 120 quilómetros. É a «estrela cadente», não uma estrela a cair. A partícula espacial é um meteoroide; um fragmento que chega ao solo é um meteorito.Guia: Chuvas de meteoros: Perseidas, Gemínidas e outras
Movimento próprio
Alteração da direção de uma estrela ao longo do tempo devido ao seu movimento no espaço, expressa habitualmente em segundos ou milissegundos de arco por ano. Muitas estrelas mudam apenas frações de segundo de arco anualmente; a estrela de Barnard ultrapassa dez segundos de arco por ano. Deve ser tratado separadamente da mudança dos eixos por precessão.Guia: Pesquisar uma estrela por número HIP, HD ou TYC

N

Nadir
Direção exatamente oposta ao zénite, verticalmente abaixo do observador e a 90° sob o horizonte. Não é uma estrela nem um ponto observável através do solo: é uma referência geométrica do sistema horizontal. Zénite e nadir definem o eixo vertical local, diferente do eixo que liga os polos celestes salvo em configurações particulares.
Nascer do Sol
Instante convencional em que o bordo superior aparente do Sol alcança um horizonte ideal desimpedido. O pôr do Sol é o contacto correspondente ao desaparecer. Uma referência padrão usa o centro geométrico cerca de cinquenta minutos de arco abaixo do horizonte: aproximadamente dezasseis para o raio e trinta e quatro para a refração. Obstáculos e atmosfera real alteram a experiência.Guia: Nascer e pôr do Sol: compreender os horários
Noite polar
Período em que o Sol não nasce num local de alta latitude. Pode ainda haver crepúsculo perto do meio-dia, pelo que não significa escuridão astronómica contínua. Refração, raio solar e horizonte alteram a duração observada, sobretudo junto do círculo polar. Perto dos polos pode durar aproximadamente metade do ano, com as estações invertidas entre os hemisférios.Guia: Sol da meia-noite e noite polar
Nós lunares
Pontos ascendente e descendente onde a órbita lunar, inclinada cerca de 5,1°, cruza a eclíptica. Para ocorrer um eclipse, a Lua nova ou cheia tem de acontecer suficientemente perto de um nó. A linha dos nós recua num ciclo próximo de 18,6 anos, alterando as temporadas de eclipses e as séries de ocultações estelares.Guia: Eclipse solar: trajetória, contactos e cobertura
Número de catálogo
Identificador de uma entrada num catálogo astronómico. A Estrela Polar é, por exemplo, HIP 11767 e HD 8890 em catálogos diferentes; os números TYC têm três partes. Uma estrela pode ter várias designações para o mesmo objeto. O prefixo e a componente são importantes, sobretudo em sistemas múltiplos, e a cobertura varia de catálogo para catálogo.Guia: Pesquisar uma estrela por número HIP, HD ou TYC
Número relativo de manchas solares
Índice de atividade associado a Rudolf Wolf, que combina dez vezes o número de grupos com o número de manchas individuais e um fator de calibração para observador e instrumento. Dá maior peso à presença de novos grupos. As séries históricas remontam ao século XVIII; uma contagem casual numa imagem não é automaticamente equivalente ao índice normalizado.Guia: Manchas solares: compreender e observar em segurança
Nutação
Conjunto de pequenas oscilações sobrepostas à evolução lenta dos eixos terrestres por precessão. A Lua tem um papel importante; o termo principal possui período próximo de 18,6 anos e amplitude de cerca de 17 segundos de arco em longitude. A nutação distingue referências médias e verdadeiras de data e deve ser considerada em posições de elevada precisão.Guia: J2000 ou JNow: precessão e nutação

O

Ocultação lunar
Passagem da Lua à frente de uma estrela ou planeta. Uma estrela quase pontual desaparece muito depressa, sem uma atmosfera lunar densa que atenue gradualmente o seu brilho. O instante e a visibilidade dependem fortemente do local devido à paralaxe. Um planeta com disco angular apreciável demora mais a ser coberto; uma conjunção próxima nem sempre produz ocultação local.Guia: Ocultação lunar: quando uma estrela desaparece
Ocultação rasante
Ocultação em que uma estrela passa muito perto do bordo lunar aparente. Ao longo de uma faixa terrestre estreita, montanhas e vales do limbo podem causar vários desaparecimentos e reaparecimentos. Registos temporais de observadores bem localizados permitem estudar essa geometria. Uma pequena mudança de local pode alterar a sequência; não se resume a uma ocultação central de duração curta.Guia: Ocultação lunar: quando uma estrela desaparece
Oposição
Configuração de um planeta exterior com diferença de longitude eclíptica de aproximadamente 180° em relação ao Sol, segundo a definição usada. Costuma favorecer longa visibilidade noturna e grande brilho, com culminação perto da meia-noite solar. A altura depende da latitude e declinação. O instante de menor distância não tem de coincidir exatamente com a oposição.Guia: Oposição, conjunção e quadratura dos planetas

P

Paralaxe
Mudança aparente de direção quando o mesmo objeto é visto de pontos diferentes. A paralaxe anual das estrelas permite determinar distâncias; para a Lua, a deslocação do observador sobre a Terra já causa uma diferença próxima de um grau em certas geometrias. Origem geocêntrica e topocêntrica devem, por isso, ser distinguidas ao comparar coordenadas.
Parsec
Unidade de distância associada a uma paralaxe de um segundo de arco para uma base de uma unidade astronómica. Equivale aproximadamente a 3,26 anos-luz ou 30,9 × 10^12 quilómetros, isto é, 30,9 biliões na escala longa portuguesa. O nome liga paralaxe e segundo de arco. Não é uma unidade de tempo nem a duração de uma viagem.
Penumbra
Região onde uma fonte luminosa extensa está parcialmente tapada. A Lua começa um eclipse lunar por atravessar a penumbra terrestre, ficando apenas ligeiramente menos luminosa. Um local terrestre na penumbra da Lua vê uma parte do disco solar ocultada. A penumbra deve distinguir-se da umbra, onde a fonte é totalmente escondida na geometria direta.Guia: Eclipse lunar: fases, cor e visibilidade
Periélio
Ponto de uma órbita solar em que o corpo está mais perto do Sol. A Terra passa pelo periélio no início de janeiro, a cerca de 147 milhões de quilómetros; Mercúrio aproxima-se de cerca de 46 milhões. A proximidade não define por si as estações locais: janeiro é inverno em Portugal e verão em grande parte do hemisfério Sul.
Perigeu
Ponto de menor distância à Terra numa órbita geocêntrica. Os perigeus lunares não têm todos a mesma distância, variando aproximadamente entre 356 mil e 370 mil quilómetros nas ordens de grandeza usuais. Uma Lua cheia próxima do perigeu pode ser chamada superlua; o termo popular utiliza critérios diferentes e não uma fronteira oficial única.Guia: Superlua e microlua: o tamanho aparente da Lua
Ponto vernal
Interseção entre o equador celeste e a eclíptica onde o Sol passa de sul para norte no equinócio de março. É a origem tradicional da ascensão reta e da longitude eclíptica nos sistemas equinociais. A precessão desloca-o lentamente em relação às estrelas; a sua definição geométrica não depende de permanecer numa determinada constelação.Guia: Ascensão reta e declinação explicadas
Precessão
Evolução lenta da orientação dos eixos terrestres e das referências equatoriais, devida nomeadamente à ação gravitacional do Sol e da Lua sobre a Terra achatada. A escala do grande ciclo é próxima de 25 800 anos. O ponto vernal desloca-se cerca de cinquenta segundos de arco por ano, mas cada coordenada estelar responde segundo a sua projeção particular.Guia: J2000 ou JNow: precessão e nutação

Q

Quadratura
Configuração em que um astro se encontra aproximadamente a 90° do Sol na grandeza angular definida. Um planeta exterior em quadratura oriental culmina aproximadamente perto do pôr do Sol; em quadratura ocidental, perto do nascer. Os quartos lunares são configurações relacionadas. Horários exatos e separação tridimensional dependem das definições e da posição local.Guia: Oposição, conjunção e quadratura dos planetas

R

Radiante
Região do céu de onde as trajetórias de uma chuva de meteoros parecem divergir. A convergência resulta da perspetiva de trajetórias quase paralelas, não de partículas que nascem numa estrela. Um radiante alto costuma favorecer taxas observáveis maiores. Os meteoros podem aparecer longe dele, e olhar apenas para o radiante reduz a atenção ao restante campo do céu.Guia: Chuvas de meteoros: Perseidas, Gemínidas e outras
Refração atmosférica
Curvatura dos raios ao atravessarem camadas atmosféricas, que faz um astro parecer mais alto que a sua direção geométrica. Perto do horizonte, um valor padrão é cerca de 34 minutos de arco, comparável ao diâmetro solar. Temperatura, pressão e estratificação modificam-no; é uma aproximação de cálculo, não uma garantia de contacto visual ao segundo.Guia: Refração e depressão do horizonte
Retrogradação
Movimento aparente temporário de um planeta para oeste perante as estrelas, contrário ao seu avanço habitual para leste. Surge da mudança de perspetiva quando a Terra ultrapassa um planeta exterior ou é ultrapassada por um interior. A órbita física do planeta não inverte o sentido. Deve distinguir-se do movimento diário geral do céu produzido pela rotação terrestre.Guia: Retrogradação: por que parecem recuar os planetas
Rotação síncrona
Estado em que a rotação média de um corpo tem a mesma duração que a sua revolução em torno do corpo principal. A Lua mantém assim aproximadamente a mesma face voltada para a Terra, devido à evolução por forças de maré. As librações permitem, no entanto, ver cumulativamente cerca de 59 % da superfície, em vez de uma metade rigorosamente fixa.Guia: Libração lunar: ver mais de metade da Lua

S

Saros
Ciclo de 223 meses sinódicos, próximo de dezoito anos, onze dias e oito horas, que relaciona eclipses de geometria semelhante. As oito horas adicionais deslocam a orientação terrestre em cerca de um terço de volta, pelo que o eclipse seguinte não regressa simplesmente ao mesmo local. O saros explica famílias, mas não substitui contactos e visibilidade locais calculados.Guia: Eclipse solar: trajetória, contactos e cobertura
Segundo intercalar
Ajuste de um segundo usado no regime UTC iniciado em 1972 para manter proximidade com a rotação terrestre UT1. A resolução 5 da CGPM de 2026 prevê UTC contínuo a partir de 20 de maio de 2027, com limite máximo de 3 600 segundos para o valor absoluto de UT1−UTC. A astronomia precisa continua a necessitar das relações entre escalas.Guia: Data juliana e ΔT: compreender as escalas do tempo
Sistema equatorial
Sistema de coordenadas orientado pelo equador celeste, com ascensão reta ao longo do equador e declinação perpendicular a ele. É útil para catálogos e telescópios. Os valores dependem do referencial e da época; movimentos próprios, corpos em órbita e uma origem topocêntrica podem introduzir alterações temporais ou locais. Não é um sistema de coordenadas absolutamente imutáveis.Guia: Coordenadas celestes: três sistemas para o céu
Sistema horizontal
Sistema de coordenadas diretamente ligado ao horizonte local, com azimute e altura. Indica a direção para onde olhar num local e instante definidos. A rotação terrestre faz os valores mudar continuamente, e outro observador pode obter números diferentes ao mesmo tempo. A sua ligação ao horizonte distingue-o de grelhas equatoriais ou eclípticas, sem tornar estas absolutamente independentes do tempo.Guia: Coordenadas celestes: três sistemas para o céu
Sizígia
Configuração aproximadamente alinhada de três corpos, como Sol, Terra e Lua. Lua nova e cheia são sizígias na geometria orbital geral; um eclipse exige também proximidade suficiente a um nó. As contribuições solar e lunar às marés reforçam-se perto destas fases, mas a altura real da maré num porto depende de muitos outros fatores locais.Guia: Fases da Lua: da Lua nova à Lua cheia
Solstício, referência astronómica
Instante associado aos extremos norte e sul da direção solar, perto de junho e dezembro, com declinação próxima de ±23,4°. No hemisfério Norte, junho marca o dia mais longo e dezembro o mais curto, com estações opostas no Sul. É um instante mundial cuja data civil pode mudar entre fusos, não um dia inteiro definido pela meia-noite local.Guia: Solstícios e equinócios: as estações astronómicas
Superlua
Designação popular de uma Lua cheia próxima do perigeu, sem limiar oficial único. Na comparação entre extremos, o diâmetro pode ser cerca de 14 % maior e o brilho aproximadamente 30 % superior ao de uma Lua cheia no apogeu. Não são ganhos face à Lua média. Sem comparação direta, a diferença de tamanho pode ser difícil de reconhecer a olho nu.Guia: Superlua e microlua: o tamanho aparente da Lua

T

Tamanho angular
Dimensão aparente de um objeto expressa em graus, minutos ou segundos de arco, frequentemente o diâmetro. Depende do tamanho físico e da distância. Sol e Lua ocupam cerca de meio grau, enquanto Júpiter mede tipicamente algumas dezenas de segundos de arco. Um aumento de 14 % no diâmetro não é o mesmo que 14 % na área aparente do disco.Guia: Superlua e microlua: o tamanho aparente da Lua
Tempo de percurso da luz
Intervalo necessário para a luz viajar de um astro até ao observador. É um pouco superior a um segundo desde a Lua e a oito minutos desde o Sol. Observamos o estado passado do objeto, não uma transmissão instantânea. As posições aparentes precisas incluem o atraso luminoso e os restantes efeitos adequados ao corpo e ao referencial.
Tempo sideral
Medida angular da orientação da Terra relativamente à origem equinocial, expressa em horas. O valor local relaciona-se com a ascensão reta que passa no meridiano, com convenções de coordenadas coerentes. Depende do instante e da longitude, não apenas do fuso civil. Existem formas média e aparente, que diferem pelo tratamento da nutação e da referência correspondente.Guia: Tempo sideral local: compreender LST
Tempo Terrestre, TT
Escala temporal uniforme usada em referências e cálculos astronómicos terrestres, cuja realização ligada ao Tempo Atómico Internacional segue TT = TAI + 32,184 segundos. Não é a hora civil do local. A diferença TT−UT1 chama-se ΔT; UT1 acompanha a rotação terrestre. Modelos precisos devem conservar a escala temporal adequada, mesmo quando apresentam os resultados no fuso do utilizador.Guia: Data juliana e ΔT: compreender as escalas do tempo
Tempo Universal, UT
Família de escalas ligadas à rotação terrestre, cuja forma UT1 descreve a orientação real da Terra. Não corre exatamente como uma escala atómica uniforme. UTC é a referência civil, com história de segundos intercalares e transição prevista em 20 de maio de 2027 para continuidade com tolerância maior face a UT1. UT1, UTC e o fuso não são conceitos intercambiáveis.Guia: Data juliana e ΔT: compreender as escalas do tempo
Terminador
Fronteira entre a região iluminada diretamente pelo Sol e a região noturna de um corpo. Na Lua, os raios rasantes nas suas proximidades produzem sombras longas de crateras e montanhas, revelando o relevo. Não é o bordo exterior do disco, ou limbo. A sua posição muda com a fase e pode ser interpretada com a colongitude.Guia: Fases da Lua: da Lua nova à Lua cheia
Topocêntrico
Referido ao local do observador na superfície terrestre, em vez de ao centro da Terra, como numa posição geocêntrica. A diferença é especialmente importante para a Lua, cuja proximidade torna a paralaxe grande. Uma origem topocêntrica pode ser usada com diferentes orientações de grelha: não é sinónimo exclusivo de coordenadas horizontais nem uma correção independente de contexto.
Trânsito
Termo com dois usos importantes: passagem de um corpo à frente de um disco maior, como Mercúrio ou Vénus perante o Sol, e passagem de um astro pelo meridiano. O contexto distingue os dois fenómenos. Um trânsito solar mantém sempre parte da fotosfera exposta, exigindo proteção solar apropriada durante toda a observação, mesmo no máximo do fenómeno.Guia: Trânsitos de Mercúrio e Vénus diante do Sol
Tycho-2
Catálogo de cerca de 2,5 milhões de estrelas, baseado em observações do instrumento Tycho da missão Hipparcos e em posições de catálogos anteriores. Fornece posições, movimentos próprios e fotometria em duas bandas, sendo quase completo até aproximadamente à magnitude 11. Os identificadores TYC têm três partes. A cobertura ampla não significa que contenha todas as estrelas existentes.Guia: Pesquisar uma estrela por número HIP, HD ou TYC

U

Umbra
Região da sombra onde nenhum raio direto da fonte extensa chega sem ser bloqueado pelo corpo ocultante. A Lua inteiramente na umbra terrestre sofre um eclipse total; um local alcançado pela umbra lunar vive uma totalidade solar. A atmosfera pode refratar luz para a sombra da Terra, razão pela qual uma Lua eclipsada não desaparece necessariamente por completo.Guia: Eclipse lunar: fases, cor e visibilidade
Unidade astronómica
Unidade de comprimento usada sobretudo nas distâncias do Sistema Solar. Desde 2012 corresponde exatamente a 149 597 870 700 metros. Aproxima a distância média entre a Terra e o Sol, sem afirmar que essa distância seja constante durante o ano. O símbolo internacional é au; em português encontra-se também a abreviatura UA.

Z

Zénite
Direção vertical acima do observador, a 90° do horizonte matemático. Um astro pode passar por ela quando a sua declinação corresponde à latitude do local, nas condições geométricas apropriadas. O Sol só pode fazê-lo entre os trópicos e nos seus limites. Não passa no zénite em Portugal; culminar alto não significa chegar exatamente à vertical.Guia: Posição do Sol: azimute e altura
ZHR
Taxa horária zenital, do inglês Zenithal Hourly Rate. Normaliza a atividade de meteoros para um observador com radiante no zénite e magnitude limite de 6,5, em condições de referência. A taxa realmente vista costuma ser inferior devido a altura, luz e obstáculos. É uma medida estatística comparativa, não uma promessa de contagem regular por hora.Guia: Chuvas de meteoros: Perseidas, Gemínidas e outras
Zodíaco
Faixa de constelações na vizinhança da eclíptica, percorrida pelo Sol e perto da qual se movem a Lua e os planetas. Segundo as fronteiras oficiais, o Sol atravessa treze constelações, incluindo Ofiúco. Os doze signos astrológicos iguais são outro sistema de divisão; não coincidem com as regiões astronómicas de tamanhos desiguais, e a precessão altera a relação histórica.Guia: Como reconhecer as constelações

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