Planetas
Oposição, conjunção e quadratura: as configurações dos planetas
Em poucas palavras
Estes termos descrevem a posição aparente de um planeta em relação ao Sol. Na oposição, um planeta exterior ocupa a região oposta e favorece a observação noturna. Na conjunção solar fica na direção geral do Sol e é difícil ou impossível de observar visualmente. A quadratura situa-o a aproximadamente noventa graus. O Apphemeride apresenta estes eventos na lista para preparação e lembretes.
Ângulos numa configuração vista da Terra
Nas definições eclípticas usuais, uma diferença de longitude de 0° corresponde à conjunção, 180° à oposição e ±90° às quadraturas. A definição deve ser conservada ao comparar números: alguns eventos usam ascensão reta, e uma diferença de longitude não é sempre igual à separação angular tridimensional entre os discos.
As configurações repetem-se porque a Terra e cada planeta percorrem as suas órbitas a velocidades diferentes. A revolução sinódica descreve o retorno a uma configuração relativa semelhante. Entre oposições decorrem cerca de 780 dias para Marte, 399 para Júpiter e 378 para Saturno.
A Lua permite reconhecer um padrão aparentado todos os meses. A Lua nova está em conjunção com o Sol, a cheia em oposição e os quartos correspondem às diferenças de longitude de noventa e duzentos e setenta graus. A iluminação depende da geometria espacial, pelo que «metade do disco» é uma descrição aproximada do aspeto nos quartos, não uma definição independente das coordenadas.
O intervalo entre uma conjunção e uma oposição não precisa de ser exatamente metade de um período sinódico. As órbitas elípticas e as velocidades variáveis afastam o movimento de um círculo uniforme. Para marcar um encontro, use o evento calculado, não uma divisão fixa do intervalo médio.
Oposição dos planetas exteriores
Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno podem ficar do lado oposto ao Sol. A Terra encontra-se na região intermédia da configuração, embora os três centros não estejam necessariamente numa linha perfeita devido às inclinações orbitais.
A proximidade relativa costuma aumentar o tamanho angular e o brilho, e o planeta oferece uma longa presença noturna. A culminação ocorre perto da meia-noite solar verdadeira. Os horários exatos de nascer e ocaso e a altura máxima dependem da declinação, da latitude e do horizonte.
O mínimo de distância não tem de ocorrer no mesmo instante da oposição. A geometria orbital pode deslocá-lo alguns dias. Dizer que o planeta está favorável perto da oposição é correto; afirmar que esse segundo é sempre o de maior tamanho possível do ciclo é demasiado rígido.
Marte mostra contrastes especialmente grandes porque a sua órbita é excêntrica. Oposições próximas do seu periélio podem trazê-lo muito mais perto que oposições noutras partes da órbita. O diâmetro aparente varia bastante, e uma mesma ampliação não mostra o mesmo nível de detalhe em todas as aparições. Saturno acrescenta a influência da abertura e do efeito de oposição dos anéis.
Não é preciso limitar uma campanha à noite da data exata. Muitas semanas em redor podem ser excelentes, com horários que vão mudando entre madrugada e noite mais cedo. Em Portugal, compare também a altura ao meridiano: um planeta muito baixo pode sofrer mais com turbulência do que outro observado fora do instante de oposição mas numa geometria mais alta.
Quadraturas e conjunção solar
Na quadratura oriental, o planeta fica aproximadamente noventa graus a leste do Sol e tende a culminar perto do pôr do Sol. É uma configuração útil para observação vespertina. Na quadratura ocidental, a culminação aproxima-se do nascer solar e a observação favorece a madrugada.
Marte pode mostrar um defeito de fase notável, parecendo ligeiramente giboso em vez de um disco totalmente redondo. As sombras nos sistemas planetários também mudam com a direção de iluminação; a geometria não é apenas uma questão de horário.
Na conjunção com o Sol, um planeta exterior fica para lá da direção solar e perde-se geralmente na luz do dia. Não use binóculos para o procurar junto do Sol: uma passagem acidental pela luz solar concentrada é perigosa. A configuração é um evento orbital importante, mas não necessariamente uma ocasião de observação visual.
Mercúrio e Vénus têm duas conjunções
As órbitas de Mercúrio e Vénus ficam dentro da terrestre. A separação solar é limitada e não permite oposição nem quadratura de noventa graus como a dos planetas exteriores.
Na conjunção superior, o planeta passa do lado distante do Sol. Vemos sobretudo a face iluminada, mas a proximidade angular do Sol impede normalmente a observação. Na conjunção inferior, passa do lado da Terra, com a face noturna voltada principalmente para nós.
A inclinação orbital faz com que o disco passe geralmente acima ou abaixo do Sol no céu. Uma conjunção inferior não produz automaticamente um trânsito. Para atravessar a fotosfera aparente, é necessário que a configuração ocorra suficientemente perto de um nó orbital.
Entre as conjunções, os planetas atingem elongações máximas orientais e ocidentais. Estas criam oportunidades de tarde ou de manhã, cuja qualidade local ainda depende da inclinação da eclíptica e da altura. Vénus pode permanecer acima do horizonte após o crepúsculo em configurações favoráveis.
Encontros entre a Lua e os planetas
No uso corrente, «conjunção» designa muitas vezes um encontro visual. Astronomicamente, o instante de igualdade de longitude ou de ascensão reta pode não coincidir com o instante de menor separação real.
As distâncias físicas dos corpos continuam enormes mesmo quando parecem próximos. A Lua passa mensalmente pelas regiões ocupadas pelos planetas, mas um encontro não garante ocultação. A paralaxe pode fazer o disco lunar cobrir o planeta de um local e passar ao lado noutro.
Encontros de planetas entre si seguem outros ritmos; Júpiter e Saturno aproximam-se em configurações chamadas grandes conjunções cerca de vinte em vinte anos. Para fotografia desde Monsaraz, Alqueva ou Lisboa, o fundo de paisagem exige ainda direção, altura e horário locais, não apenas o nome global do evento.
Como o Apphemeride responde
Como o Apphemeride responde
A lista apresenta oposição, conjunções superiores e inferiores, quadraturas orientais e ocidentais, conjunções planetárias e lunares e ocultações. O intervalo de preparação vai de uma semana a dois anos.
Cada detalhe explica quando observar, para onde olhar, o equipamento adequado e o interesse do fenómeno, com uma pequena carta do céu e controlo temporal. Pode criar um lembrete para o instante ou até uma semana antes. Os eventos e dados planetários pertencem à versão completa. Conheça os eventos celestes no Apphemeride.
Perguntas frequentes
O que significa oposição de um planeta?
Uma configuração exterior aproximadamente oposta ao Sol no céu. Costuma proporcionar longa visibilidade noturna, brilho e tamanho favoráveis. A altura depende do local e da declinação; a menor distância pode ocorrer noutro instante próximo.
Qual é a diferença para uma conjunção?
Na conjunção solar, o planeta fica na direção geral do Sol; na oposição, na região oposta. O intervalo não tem de ser exatamente metade do período sinódico. Mercúrio e Vénus não alcançam a oposição vista da Terra.
Vénus pode estar em oposição?
Não. A sua órbita interior limita a separação solar a cerca de 47°. Apresenta conjunções superior e inferior e elongações máximas, mas não a configuração de cento e oitenta graus em relação ao Sol.
Quando é Marte mais favorável?
Nas semanas em redor da oposição, que se repete aproximadamente a cada vinte e seis meses. A distância varia muito entre aparições. Escolha também uma altura favorável e uma atmosfera estável para ver detalhes telescópicos.
O que é uma quadratura?
Uma configuração próxima de noventa graus a leste ou oeste do Sol na definição adotada. Os planetas exteriores tornam-se geralmente alvos do início de noite ou da madrugada, respetivamente. Os horários exatos são locais.