Eclipses
Eclipse lunar: fases, Lua avermelhada e visibilidade local
Em poucas palavras
Um eclipse lunar ocorre quando a Lua cheia atravessa a sombra terrestre. Pode ser observado onde a Lua está acima do horizonte durante a fase em questão, sem uma faixa central estreita como num eclipse solar. Na totalidade, o disco fica frequentemente avermelhado ou acobreado. O Apphemeride indica se o seu local vê todo o fenómeno, apenas parte ou nenhuma fase.
A Lua cheia encontra a sombra da Terra
A Terra bloqueia luz solar e projeta uma sombra na direção oposta ao Sol. A Lua cheia ocupa essa região geral, mas a órbita inclinada costuma fazê-la passar a norte ou sul da sombra. Uma proximidade adequada a um nó torna o eclipse possível.
Na **umbra, a Terra esconderia o Sol por completo a um observador lunar. Na penumbra**, apenas parte ficaria tapada. À distância da Lua, o diâmetro da umbra é aproximadamente duas vezes e meia a três vezes o disco lunar.
Um eclipse total coloca o disco inteiro na umbra. Num parcial, só uma parte entra. Num eclipse penumbral, a Lua atravessa apenas a penumbra e o escurecimento pode ser discreto, passando despercebido sem uma comparação atenta.
Todos os observadores com visão da Lua assistem ao mesmo processo físico. A altura, o estado atmosférico e os obstáculos mudam a aparência e as fases acessíveis, mas não criam um percurso estreito terrestre da totalidade lunar.
Ler os contactos
| Contacto | Significado |
|---|---|
| P1 | Primeiro contacto com a penumbra |
| U1 | Entrada na umbra e começo da fase parcial umbral |
| U2 | Disco inteiramente na umbra e início da totalidade |
| U3 | Começo da saída da umbra e fim da totalidade |
| U4 | Fim da passagem pela umbra |
| P4 | Saída completa da penumbra |
Num eclipse parcial não existem U2 e U3. Num penumbral não existem contactos umbrais. A sequência precisa de ser interpretada segundo o tipo, sem esperar uma totalidade que o fenómeno não inclui.
O início em P1 costuma ser muito subtil para o olho. O escurecimento cresce à medida que a Lua entra mais na penumbra, e depois de U1 surge uma zona escura claramente delimitada sobre o disco.
O processo completo pode prolongar-se por várias horas. A totalidade pode ultrapassar ligeiramente uma hora e meia em geometrias favoráveis, sendo apenas uma parte do intervalo total. A grande totalidade de 27 de julho de 2018 é uma referência histórica de longa duração, não um modelo de duração para todas as próximas ocorrências.
Magnitude umbral e penumbral
A magnitude de um eclipse lunar descreve uma profundidade geométrica normalizada pelo diâmetro da Lua. A umbral indica a penetração na umbra: abaixo de um, o disco não fica totalmente mergulhado; a partir de um, a totalidade torna-se possível.
Não é a magnitude fotométrica de brilho, nem uma percentagem direta de área escura. A magnitude penumbral refere-se ao outro limite da sombra e tem significado diferente. Comparar números sem conservar o nome pode produzir uma interpretação errada.
Uma passagem mais central pode permitir uma totalidade longa, mas as velocidades e os tamanhos também importam. Para preparar uma sessão, os contactos dão os intervalos concretos; um único valor máximo não descreve toda a cronologia.
Porque a Lua não desaparece completamente?
A atmosfera terrestre refrata alguma luz solar para dentro da sombra. Os raios atravessam longos percursos perto do bordo da Terra, perdendo muitas componentes azuis por dispersão. A luz que alcança a Lua é frequentemente rica em vermelhos e laranjas.
Uma imagem explicativa é a luz dos nascimentos e ocasos solares em redor da Terra a iluminar a Lua. A distribuição real não é uniforme: nuvens, aerossóis e camadas atmosféricas diferentes alteram quais os raios que chegam.
Depois de grandes injeções de material na estratosfera, certas totalidades podem ficar muito escuras. Outras mostram um tom acobreado mais vivo. A **escala de Danjon**, em cinco níveis, permite descrever a aparência observada.
O disco pode ter um bordo mais claro perto da margem da umbra e outra região mais escura no interior. «Lua de sangue» é um nome popular para essa aparência, não uma fase orbital diferente nem garantia de vermelho intenso em todos os eclipses.
Escolher o horizonte português
Não precisa de filtro solar para olhar para a Lua eclipsada. Está a observar um corpo menos luminoso que a Lua cheia habitual, a olho nu, em binóculos ou no telescópio. Esta regra é exclusiva do alvo lunar e não deve ser aplicada a um eclipse do Sol.
A pergunta prática principal é se a Lua estará suficientemente alta durante as fases desejadas. Pode nascer já eclipsada ou pôr-se durante a totalidade. Um horizonte oriental ou ocidental desimpedido torna-se então mais importante que uma grande abertura de telescópio.
Em Lisboa, um edifício pode esconder parte da sequência; em Monsaraz ou junto do Alqueva, um ponto mais aberto pode recuperar uma fase baixa. A meteorologia continua a decidir se haverá disco visível. O mesmo eclipse global não garante igual janela no continente, Madeira e Açores.
A latitude e longitude mudam a trajetória local; o fuso muda a leitura do instante. Guarde as duas questões separadas para não confundir horários físicos comuns com visibilidade diferente.
Fotografar uma grande mudança de brilho
Um tripé ajuda a acompanhar várias fases sem tremer. Durante a parte parcial, a zona ainda iluminada e a zona eclipsada podem ter um contraste muito alto. Uma exposição para uma pode perder detalhe na outra.
Na totalidade é normalmente necessário expor mais que para uma cheia comum, tendo em conta movimento lunar, distância focal e estabilidade. A luz exata varia entre eclipses, pelo que não existe uma configuração única de câmara para todas as totalidades.
Estrelas mais fracas podem aparecer em redor quando o disco escurece. Uma fotografia de campo largo ganha um contexto raro para uma Lua cheia. Um céu rural ajuda esse fundo estelar, enquanto a Lua em si pode continuar visível em ambiente urbano.
Prepare uma sessão confortável e um registo de contactos e cores. O fenómeno evolui durante horas; vale a pena acompanhar a transformação em vez de olhar apenas no instante do máximo.
Como o Apphemeride responde
Como o Apphemeride responde
A aplicação apresenta P1, U1–U4 e P4 quando existem, magnitudes umbral e penumbral e geometria da sombra. Para o local indica visibilidade completa, parcial ou ausente.
Os dados de eclipses nas fichas são gratuitos. A versão completa acrescenta simulação local em tempo real, a 30×, a um minuto por segundo ou a dois minutos por segundo, também em 3D. Eventos e lembretes ajudam a organizar as próximas oportunidades. Conheça os eclipses lunares no Apphemeride.
Perguntas frequentes
O que é uma Lua de sangue?
Um nome popular da aparência avermelhada ou acobreada numa totalidade lunar. Luz solar filtrada e refratada pela atmosfera terrestre chega ainda à Lua. A cor e o brilho dependem das condições e da geometria.
Quanto dura um eclipse lunar?
O intervalo penumbral pode durar várias horas. A fase umbral é menor e a totalidade pode aproximar-se de uma hora e meia ou ultrapassá-la ligeiramente em casos favoráveis. Convém indicar a fase a que se refere a duração.
É necessário usar óculos de eclipse?
Não para observar a Lua. Ela fica mais fraca que a cheia normal e pode ser vista diretamente ou com instrumento. Para o Sol, a proteção é indispensável: não se deve transportar esta regra lunar para eclipses solares.
É visível em todo o planeta?
Apenas onde a Lua está acima do horizonte durante a fase relevante e as condições a deixam ver. Os contactos físicos são comuns, mas alguns locais veem só um nascer ou ocaso com eclipse em curso.